20/09/2009

Cada coisa no seu lugar

Eu nunca tive problemas antes com esse blog. E quando vi que alguem tinha copiado meu texto, simplesmente escrevi para a pessoa, expliquei o que tinha que explicar sobre permissão de publicação, copyright, etc. Nao tive retorno.
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Não se trata aqui gente, de discutir experiências. Todo mundo tem experiências brasileiros morando no exterior terão experiências parecidas. Eu passo por coisas que todo mundo passa, situaçõess semelhantes, sentimentos parecidos. Mas a discussão aqui nao é essa, não é uma discussão sobre experiências, mas sobre plágio. Eu, Ana Paula Andrade, que vocês conhecem há três anos através desse blog, estou afirmando (e com testemunhas) que essa pessoa COPIOU E COLOU no blog dela um texto meu, palavra por palavra, vírgula por vírgula, sem mudar um ponto de lugar, inclusive com o mesmo título, e postou como sendo ela a autora. É como se um colega pegasse o teu trabalho de faculdade, que você fez no fim de semana, e copiasse tudo, letra por letra, e entregasse para o professor como sendo ele (e não você) o autor, sem a tua autorização e sem você saber de nada.
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Ela não escreveu um texto parecido. Existem milhões de textos e artigos sobre os mesmos temas, certo? Pessoas que vivem na mesma cidade, passam pelas mesmas coisas, frequentam os mesmos lugares e têm os mesmos problemas provavelmente escreverão coisas semelhantes sobre o mesmo assunto. Mas ela, repito mais uma vez, COPIOU integralmente meu texto e reproduziu. E olhem, não fui eu quem descobriu isso não, foi uma garota que lê meu blog regularmente que me enviou uma mensagem falando que tinha visto meu texto publicado em outro blog e perguntando se eu estava sabendo, se eu conhecia a autora e se eu tinha dado permissão.
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E como se não bastasse isso, ao invés de responder as minhas mensagens e explicar o por quê de ter copiado sem minha autorização, ela me envia mensagens ofensivas como se ela fosse a vítima. Se por algum motivo eu enlouqueci, fiquei doida, tive amnésia e não sei mais o que escrevi e ela está certa, por que então ela tornou o blog dela privado imediatamente após o ocorrido? E por que ao invés de se explicar, adotou uma posição ofensiva e fica comentando aqui como anônima?
Pra mim essa discussão está encerrada, eu só queria mesmo esclarecer isso.
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Ate mais.
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PS.: os comentários dela foram excluídos pois não condiziam com a verdade. Ela não usou esse espaço para se explicar, mas para mentir e dizer que nunca copiou nada, criticar o meu blog - mesmo depois de ter vindo aqui e copiado de mim!
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Qualquer texto desse blog pode ser reproduzido em outra página, tenho o maior prazer em compartilhar com outras pessoas, só me avisem antes e claro, citem a fonte e coloquem um link para a publicação original.

01/06/2009

Retomada

Então gente, lembram que há um tempinho eu contei um pouco sobre como tudo aconteceu em 2008, desde que parei de escrever aqui? Pois bem, vou retomar do ponto em que parei.
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Voltei da África em julho de 2008 e após isso, estava desempregada novamente. Saldo: quatro meses de experiência numa agência de imprensa não-governamental em Genebra e uma viagem de campo à África. Continuei estudando, nessa época tinha curso de três a quatro vezes por semana a noite. Não conseguia arrumar emprego, pois aqui é bem difícil estudante conseguir trabalho, principalmente sendo de fora da Europa. E na Suíça não rola essa de "ah vou trabalhar de recepcionista, secretária, assistente administrativa" etc. Só pode exercer uma função se você tem formação na área. E nesse país há formação para tudo: de padeiro a contador, de atendente de cafeteria a marceneiro, existe um diploma federal ou de comércio para tudo. Portanto, o mercado de trabalho para estudantes estrangeiros em busca de um bico para juntar uns trocados fica bem limitado. Por um lado tem suas vantagens (para os suíços, claro), pois todo profissional é valorizado. A pessoa se forma numa determinada área e sabe que só pode exercer aquela profissão quem tem formação e, consequentemente, o profissional sempre acaba valorizado. Mas sempre há uma saída para quem procura um empreguinho, quem procura acha sim.
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O tempo passou. Entre agosto e setembro passei duas semanas no Brasil. Conheci o maravilhoso e segregado Rio de Janeiro, apresentei meu noivo à família, apresentei um pouco da nossa cultura para ele. Voltamos para a Europa e continuei tocando a vida e meus projetos de mestrado e quando vi, já era dezembro.
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Paris
Fomos a Paris passar meu aniversário e (eu e meu noivo), embora a viagem não tenha sido a melhor que já fiz, adorei a cidade. Acho que Paris é um desses lugares que temos de voltar varias vezes na vida, ficar uns dias, frequentar seus bairros, conhecer seus cantinhos escondidos, descer a Champs-Elysée sozinho num fim de tarde ou sentar-se numa praça qualquer e sentir o espírito parisiense te impregnar: uma mistura de luxo com arrogância, beleza e decadência. Paris é um museu a céu aberto e estar lá por si só já mexe com a imaginação. Quanto aos parisienses...bom , prefiro deixá-los para outro post!
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Fim de ano foi mágico! e muito frio também. Natal nos alpes suíços, com meu noivo e seu filhinho ; réveillon na gelada Munique, Alemanha, em companhia apenas de meu noivo sob -7 graus! Em nada lembra o réveillon alegre, quente e alto astral do Brasil. Jurei para mim mesma que este seria o último réveillon na Europa. Eu preciso de energia, calor (humano, inclusive) e daquela atmosfera de esperança e fé no futuro que só existe no Brasil no mês de dezembro.
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Em meados do fim do ano conheci uma pessoa que trabalha na ONU como editora numa unidade de gerenciamento de informação. Ela me ofereceu um estágio lá, o qual aceitei, e desde fevereiro esta tem sido minha ocupação diária. Quanto a trabalhar na ONU, preciso escrever um post inteiro sobre essa experiência que é, ao mesmo tempo, frustrante e enriquecedora.
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Hoje é primeiro de junho e faltam quatro dias para a minha cerimônia de graduação do mestrado. Difícil acreditar que já está acabando, passou muito rápido mesmo. Também meu estágio na ONU logo mais acaba, pois o período máximo são seis meses e já estou lá há quatro.
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Ano que vem a pretendo dar um gás na carreira. Fui au pair e fiz um upgrade para babysitter. Depois outro upgrade para estudante de mestrado. Mais tarde fiz upgrade para coordenadora de workshop no Media21. E outro upgrade para estagiária profissional da ONU. E daqui uns meses quero a versão "carreira 2.0" instalada: trabalho na área (pago), criatividade e novos horizontes profissionais.
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E agora vocês estão todos up to date com o que se passou de abril de 2008 até o presente momento. Ah, já ia esquecendo: fiquei oficialmente noiva em abril último e estou preparando meu casamento no Brasil. Ou seja: trabalho de dia, trabalho de noite, último curso na Uni, uma tese de mestrado pra começar (imediatamente!!) e um casamento para preparar. É a saga da mulher polvo! Não tem jeito mesmo.
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Até a próxima.

20/05/2009

I'm getting married...

Oi meus queridos leitores.

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Andei sumida (de novo!), mas tenho feito muitas coisas, além de pensar sobre minha tese de mestrado, estagiar o dia todo, cuidar da minha vida e, mais recentemente, preparar meu casamento no Brasil!
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Isso mesmo, fui pedida em casamento e aceitei. Teve lágrimas, risos, anel de noivado e muita felicidade. O feliz evento será numa praia no litoral Norte de São Paulo no fim de dezembro de 2009. Estou maluquinha com os preparativos, organização, escolhe isso, escolhle aquilo, gosto dessa cor, não gosto daquela e etc. como vocês podem imaginar. A única coisa que sei com certeza é que será um casamento fora dos padrões, pé na areia (descalço de preferêcia!) e trajes tipicamente praianos.
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Agora tenho que voltar a trabalhar, mas depois conto mais.
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beijos e au revoir!

10/04/2009

Nada vem de graça

Em minha última postagem, falei um pouco de como foi o começo dos estudos de mestrado em Genebra. Muita gente me escreve mensagens que me deixam lisonjeada, fazem elogios e me falam do "sonho" de morar, trabalhar e estudar no exterior. Não quero nem nunca quis passar a impressão de que isso seja algo fácil. Muito pelo contrário, morar no exterior exige muito de nós. Ganhamos em muitos aspectos, mas lembre-se de que enquanto eu estou aqui correndo atrás dos meus próprios sonhos e objetivos, uma parte importante da minha vida está no Brasil. Essa parte se chama família e amigos, e abrir mão de estar com essas pessoas, de ver as crianças da família crescendo, os irmãos casando e a vida se transformando, não é fácil.
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Nada na vida vem de graça. Para cada conquista, uma perda. Cada dia que eu passo fora do Brasil, é um dia a mais em que não vejo minha mãe, não rio com meus irmãos, não abraço minha sobrinha linda, não vejo-a crescer, não saio com meus amigos, vou esquecendo aos poucos como é viver em minha cidade; cada dia no exterior é um dia a mais sem sentir o cheiro da comida que eu tanto adoro, sem ler as notícias que me interessam. Cada dia aqui é um dia a menos que eu vivo entre aqueles que me são importantes. E lidar com isso está longe de ser fácil. Eu vivo uma contradição sem fim: gosto daqui, tive experiências e oportunidades incríveis, mas o preço que eu pago é alto, às vezes me pergunto se não é alto demais.
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Junte-se a tudo isso as diferenças culturais, a sensação de ser sempre uma estranha pedindo licença para entrar, a falta de pertencimento e a ausência de um lugar para chamar de "minha casa". Por mais que nos acostumemos a um lugar, por mais que nos adaptemos, que falemos a língua e que nos integremos, seremos sempre estrangeiros em terra alheia. Isso aqui não é a minha casa, não é minha cultura, não é minha língua, não é o meu povo nem o meu país. Uma das maiores causas de depressão entre os brasileiros que eu conheço que moram no exterior é esse sentimento de "peixe fora d'água", de cidadão de lugar nenhum. É um golpe na auto-estima. Aqui nada me pertence, minha palavra vale pouco e tenho de viver conforme leis e costumes que até ontem me eram estranhos.
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À parte isso tudo, você ainda terá de provar que é bom o suficiente para merecer a confiança das pessoas, terá de mostrar que pode executar uma tarefa tão bem quanto qualquer europeu e que o fato de ser brasileiro não faz de você um "festeiro inveterado" 24 horas por dia. E as mulheres ainda têm a árdua tarefa de fazer as pessoas entenderam que não é por serem brasileiras e terem essa beleza considerada exótica por essas bandas, que são propriedade pública ou iscas à espera do peixe certo; terão de mostrar que gostar de dançar, ser alegre e sorrir não são sinônimos de vulgaridade ou falta de decoro social. Não estou com isso dizendo que todo europeu é preconceituoso e que não somos bem-vindos aqui. Estou tentando mostrar alguns dos desafios encontrados por quem decide viver fora. Porque embora a maioria das pessoas que aqui encontrei sejam de mente aberta, inteligentes, viajadas e abertas à outras culturas, clichês existem, imagens construídas a partir de idéias equivocadas também. E cabeças limitadas e pessoas ignorantes tem em todo lugar no mundo.
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Você não fala minha língua - Fazer-se entender é uma luta sem fim. Muitos são os equívocos originados pela falta de uma comunicação eficiente. Comunicação essa truncada pelas diferentes experiências de vida, diferentes hábitos e diferentes formações culturais e sociais. Prepare-se para fazer uma "brincadeirinha" numa roda de pessoas e ninguém rir, para se empolgar e falar um pouco mais alto e de repente perceber aqueles olhares assustados direcionados discretamente a sua pessoa; prepare-se para estar no meio de gente, na rua, numa festa, e ter de segurar o corpo para não sair dançando porque, afinal, ninguém está dançando e se você o fizer será o centro das atenções.
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Apronte-se para andar sozinha pelas ruas. Olhar montanhas, jardins, lagos, pessoas. Abrir a boca para fazer um comentário e sufocar as palavras na garganta, porque você está SOZINHA e ninguém está por perto para te ouvir. E para os locais nada disso é novidade. E seus pares - os brasileiros - ou você não os conhecerá ou os desconhecerá. Prepare-se para desconhecer brasileiros no exterior; é triste não reconhecermos nossos próprios irmãos em terras estrangeiras. Eles mudam, viram o rosto de lado, sentem inveja de você e te vêm como uma ameaça.
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Labuta - E além de tudo isso, imagine ter de trabalhar em subempregos para conseguir ir levando a vida. Engavetar diplomas e esquecer o dinheiro e o tempo investidos em cursos para trocar fralda dos filhos dos outros, limpar cozinha de restaurante, fazer faxina na casa da "Madame" e ter de pular e correr de um lado para o outro em playground, mesmo estando infeliz, frustrada e com cólica menstrual! Isso pode se tornar um círculo vicioso se você não tiver objetivos firmes e não puder contar com a ajuda de ninguém. Existem milhares de brasileiros que aqui chegaram há vários anos, e esse panorama que estou pintando nesse texto compõe o dia a dia deles. Não conseguiram vencer a barreira da ilegalidade - muitos não fazem por onde, é bem verdade - , não obtiveram ajuda e passam seus dias aqui como mão-de-obra barata, ganhando pouco, em subempregos, frequentando "guetos" de imigrantes. Quebrar esse círculo exige esforço, determinação, um pouco de sorte e ajuda, seja de amigos, namorados ou contatos que você venha a fazer aqui.
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Por fim, quero dizer que morar no exterior é difícil. Compensa, mas a recompensa depende muito do objetivo de cada pessoa. E recompensa também é algo relativo. Para muitos ela se chama dinheiro, para outros ela se chama cultura, para alguns ela se chama "marido". Para mim ela se chama experiência de vida.
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O que frustra mesmo é saber que cada esforço, cada conquista, cada batalha ganha, cada dia vivido de forma digna aqui não trará de volta os dias perdidos, os anos passados e as rugas que aparecerão no rosto de minha mãe sem que eu esteja lá para notá-las.
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Até mais.

08/03/2009

Um ano já...

Em 2008 - Acho que esse é o tempo da última verdadeira postagem por aqui. De lá para cá, iniciei o mestrado em media e comunicação e logo de cara consegui uma experiência profissional em uma agência sem fins lucrativos. Em março de 2008 debutei na Universidade Internacional de Genebra. Nas duas primeiras semanas tudo foi difícil, principalmente no que se refere à lingua. Há 10 meses eu vinha falando inglês, porém eu tinha acabado de aprender a língua e estava longe da perfeição e da fluência verbal. O primeiro obstáculo foi acostumar meu ouvido aos diferentes sotaques dos professores: Índia, ex-repúblicas soviéticas, russos, franceses, gregos... Era um sotaque mais difícil que o outro e entrei em pânico nos primeiros dois dias. Pensei comigo: "Ai meu Deus, e agora? Não vou conseguir acompanhar". Fora a pilha de livros para ler em 'business english'... Surtei!
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Mas continuei firme indo às aulas. E para minha surpresa, duas semanas depois meu entendimento já tinha melhorado muito. Ao fim do primeiro trimestre, meu inglês tinha dado um salto e me senti muito mais confiante nos meses que se seguiram. No verão passado tive aula de comunicação intercultural com uma indiana. Gente, que sotaque os indianos têm! Difícil de acompanhar no começo, mas hoje em dia eu adoro o jeito indiano de falar inglês.
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A segunda maior dificuldade que encontrei - e essa perdura até hoje -, é criar em outra língua. Nosso ouvido se acostuma rápido e antes de sabermos, o entendimento na língua acontece quase 100% após dois meses de estudo diário. Mas escrever é diferente. Mesmo com a ajuda de dicionários, tradutores online e livros, o processo de criação é muito complexo. Por vezes me vi "bloqueada" mentalmente; não conseguia expressar uma opinião, um ponto de vista ou uma idéia da forma como conseguiria em português. Isso é extremamente frustrante! A produção acadêmica acaba perdendo em qualidade, não pela falta de conteúdo, mas pela pobreza línguistica. Felizmente, os professores sabem das deficiências línguisticas dos estudantes estrangeiros e levam isso em consideração. Mesmo assim, as exigências são altas e estudantes de mestrado devem escrever de forma clara, concisa, sem erros ortográficos (só em sonho!) e com clareza de idéias. Um verdadeiro desafio.
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Diante disso, resolvi começar a blogar em inglês. Porque afinal, no meu blog eu podia errar a vontade, voltar e deletar tudo. Me expus ao excrutínio público ao iniciar um blog no Wordpress (http://wordsandletters.wordpress.com), mas valeu a pena. Foi um ótimo exercício e hoje minha escrita evoluiu bastante.
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Como eu falei lá em cima, logo no início de tudo consegui uma atividade profissional. Meu trabalho - que durou 4 meses - consistiu na simples tarefa de organizar um workshop sobre mudanças climáticas, desde pesquisar e identificar jornalistas focados em meio embiente, convidá-los a vir a Genebra, até negociar com conferencistas, cuidar de vistos, hotel e ainda trabalhar na agenda do evento. E antes que eu me esqueça, o worshop de uma semana foi seguido de uma viagem à África! Gente, eu nunca tinha tido tanta responsabilidade, embora meu trabalho fosse supervisionado e tivesse ajuda da equipe, nunca tinha feito nada parecido. Imaginem o que é trazer 12 pessoas de diferentes países para a Europa (gente que nunca tinha viajado antes), gerenciar tudo e ainda ir para a África com um grupo de 17 pessoas para observar os efeitos das mudanças climáticas.
Foi loucura! Mas extremamente gratificante; uma experiência para a vida. Fiz muitos contatos bons, conheci muita gente, ouvi muitas histórias e ganhei uma bela carta de recomendação. Quanto à África, tudo pode ser lido aqui.
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Só para vocês saberem, esse trabalho foi totalmente voluntário. Aceitei pela experiência e pela oportunidade de ir à África com um grupo de profissionais. O mercado profissional para latinos é bem complicado aqui, principalmente agora com a extensão da livre circulação à União Européia mais Bulgária e Romênia. Para adquirir experiência, é preciso aceitar chances como essa, assim temos algo no CV, uma experiência profissional em solo europeu na hora de procurar emprego. Isso conta bastante aqui. Mas trabalhar de graça não é fácil. Sem ter onde morar e alguém para dar apoio, é impossível.
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O tempo passou, voltei da África e novamente estava sem o que fazer. Tive uma rápida passagem por um guia turístico de luxo (o qual deixei por razões diversas) e nos meses seguintes me dediquei a estudar. Procurava emprego em tudo quanto é lugar, mas sem sucesso. Mesmo tendo o direito de trabalhar legalmente 20h por dia, é complicado arrumar emprego em Genebra. Se você não falar um francês que eles consideram e-x-c-e-l-e-n-t-e, nada feito; fora que as empresas preferem dar emprego a jovens locais ou pessoas com permissão de residência.
Bom, nesse período fiquei bem frustrada, mas decidi que daria um tempo. Parei de procurar e resolvi aceitar a situação, afinal, a estrangeira aqui sou...
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No próximo post continuarei a narrar a minha trajetória durante o ano de 2008.
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Até mais.